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 Quinta-Feira, 22 de Dezembro de 2005, 07:29

 Réplica do 14 Bis abre comemoração pelo centenário do primeiro vôo de um objeto
 mais pesado que o ar por meios próprios, o 14 Bis, ocorrido em 23 de outubro de 1906.

 A Tribuna

Santos Dumont
imagem: fab.mil.br
A trajetória do brasileiro Santos Dumont e as praias de Guarujá sempre andaram lado a lado. Afinal, a Cidade, antes atrelada à vizinha Santos, era um dos destinos preferidos do Pai da Aviação e acabou lhe servindo de última morada.
Em homenagem a essa ligação afetiva, o Município foi o escolhido para abrir as comemorações pelo centenário do primeiro vôo de um objeto mais pesado que o ar por meios próprios, o 14 Bis, ocorrido em 23 de outubro de 1906.
  Com o apoio dos ministérios da Defesa, Cultura e Planejamento Estratégico, foi inaugurada ontem a exposição de uma réplica do 14 Bis, com direito a motor em funcionamento, no Museu Temático e Interativo de Ciência e Tecnologia Heureka! Exploratorium, na Praia de Pitangueiras, em Guarujá. A exposição permanece na Cidade até outubro.
  O evento contou com a presença do sobrinho-bisneto de Santos Dumont, Marcos Villares. Tímido como o tio-bisavô famoso, Villares fez questão de estar presente.
  Depois de posar para fotos ao lado da réplica do avião, Villares revelou os próximos passos das comemorações de um dos maiores feitos de um brasileiro na história do planeta. Idealizador e fundador do Instituto Cultural Santos Dumont, na Capital, criado há dois anos, Villares adiantou que Guarujá deve receber outros eventos temáticos até o centenário do vôo do 14 Bis.
  ‘‘Estamos com projetos pré-definidos e oferecendo a algumas cidades. Guarujá deve executar alguns deles’’, disse. Entre as idéias do Instituto, estão projetos educativos, como o Meu Primeiro Aviãozinho, a ser desenvolvido com estudantes da Cidade. ‘‘Conversamos com o secretário de Educação (Mohamad Abdul Rahim), hoje à tarde, e expusemos a vontade de implantá-lo aqui’’, salientou Villares.
  Segundo ele, o projeto prevê a distribuição de kits montáveis, de papelão, que se transformam em miniaturas do 14 Bis. Segundo o secretário, há a possibilidade de o Meu Primeiro Aviãozinho começar a se desenvolver já no primeiro semestre de 2006. ‘‘Podemos ensinar um pouco sobre a história de Santos Dumont e depois criar um concurso de redação, como cartas que supostamente seriam enviadas a ele’’, planeja Rahim, que também vai sugerir o nome do brasileiro famoso para batizar a escola técnica estadual especializada em mecânica de aeronaves, a ser inaugurada em fevereiro na Cidade.
  O principal objetivo dessa iniciativa, conforme o presidente do Instituto Cultural Santos Dumont, é transmitir às crianças a importância do Pai da Aviação na História. ‘‘Ele não foi apenas o inventor do avião, foi um humanista e um sonhador. E esse rico legado deve passar de geração para geração’’, destaca.
  Villares também adiantou que Guarujá pode ser palco do lançamento de um selo comemorativo dos Correios, alusivo aos 100 anos do vôo do 14 Bis.
Hans Donner e Carnaval
  O designer gráfico Hans Donner, da Rede Globo, também dará sua colaboração às comemorações. Será dele o projeto de um relógio de pulso - outra invenção de Santos Dumont - que promete ser bastante ousado. ‘‘Ele é o padrinho do nosso instituto e vai nos dar esse presente’’, considera Villares.
  Além do relógio, Villares lembra da homenagem em forma de samba-enredo que a Escola de Samba paulistana Gaviões da Fiel vai prestar a Santos Dumont. ‘‘Será a única do País a usar como tema do desfile o centenário do primeiro vôo, batizado de Asas da Fascinação. É uma excelente chance de divulgar e recontar esse grande feito para o mundo’’.
  Um dos parentes mais próximos de Santos Dumont ainda vivo, Villares não esconde a mágoa pelo fato de o grande feito de seu tio-bisavô não ser reconhecido em alguns lugares do mundo, como nos Estados Unidos, que atribui o primeiro vôo aos irmãos Wright.
  ‘‘Era uma das grandes decepções dele, pois todos sabem que os Wright voaram poucos anos antes, mas não se lançaram sozinhos ao ar. Esta data é, talvez, a última grande oportunidade de lembrar o mundo disso’’, opinou.
  Outra meta é tirar o estigma de Guarujá, pelo fato de o Pai da Aviação ter se suicidado na Cidade. ‘‘Temos que ressaltar que aqui era um dos locais mais aprazíveis para ele’’, disse.

http://www.fab.mil.br/fab/personalidades/sdumont